A Entidade Reguladora Independente da Saúde (ERIS) participou na elaboração do artigo científico intitulado “Toxic Metals in Cereals in Cape Verde: Risk Assessment Evaluation” (Metais tóxicos em cereais em Cabo Verde: avaliação de risco), publicado pelo International Journal of Environmental Research and Public Health.

De acordo com a publicação, fortalecer a segurança a sanitária dos alimentos e fornecer informações nutricionais são desafios prioritários para Cabo Verde, onde o consumo de cereais e seus derivados representa 47% do consumo total de energia alimentar.

Os cereais são importantes fontes de nutrientes, porém podem conter metais pesados, com potencial para prejudicar à saúde quando consumidos em quantidades que não respeitam as doses de referência estabelecidas pelas autoridades de segurança sanitária de alimentos ou pela Organização Mundial da Saúde (OMS). 

Assim, o artigo avaliou o nível de metais pesados (Al, Cd, Cr, Ni, Pb e Sr) num total de 126 amostras de cereais e seus derivados, colhidas nas ilhas de São Vicente e Santiago, estimando a contribuição destes cereais na Ingestão diária tolerável (TDI) ou Ingestão semanal tolerável (TWI) de metais pesados.

O artigo confirmou a existência de diferenças no conteúdo de metais pesados nos cereais analisados, sendo que as amostras colhidas na ilha São Vicente apresentaram níveis mais elevados de metais, comparativamente às amostras colhidas na ilha de Santiago, reafirmando a necessidade de monitorização dos cereais produzidos, a fim de gerir e minimizar os riscos associados, para além de realizar estudos de avaliação de risco que correlacionem o nível de metais presentes nos cereais e a sua origem.

Além disso, o estudo indicou a presença de Al e Pb em maiores concentrações na camoca, um alimento confecionado a partir de cereais integrais, que tendem a acumular estes metais no seu farelo. Neste sentido, o artigo sugeriu a definição do limite máximo do Al presente nos cereais e seus derivados pelas autoridades competentes, facilitando o seu controlo e minimizando os riscos da exposição da população a este elemento neurotóxico, bem como a remoção do farelo dos cereais antes de utilizá-los para confecionar os produtos derivados.

Uma estratégia para minimizar a exposição alimentar da população cabo-verdiana a metais tóxicos de cereais deve considerar a importação de cereais com melhor qualidade, com menor nível de metais na sua composição; a monitorização contínua de cereais importados à entrada no país; a avaliação da exposição da população e a realização de campanhas educativas.

Ainda de acordo com o artigo, a avaliação da exposição alimentar aos metais tóxicos em cereais e seus derivados deve ser complementada com estudos futuros visando outros grupos de alimentos básicos na alimentação da população cabo-verdiana.

Em representação da ERIS, a Técnica da Direção de Regulação Alimentar (DRA), Verena Furtado, é uma das autoras do artigo científico.

Salienta-se que o International Journal of Environmental Research and Public Health é um periódico académico interdisciplinar. Publicado semestralmente e de acesso aberto, encontra-se disponível no Scopus, SCIE e SSCI, PubMed, MEDLINE, PMC, GEOBASE, Embase, CAPlus/SciFinder, dentre outros.

 

 

 


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